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Quanto tempo esperar pelo amor de sua vida?

Fiz essa pergunta numa rede social e muitos participaram. A maioria respondeu que esperaria o tempo que fosse preciso.
Outros disseram que dependeria do amor ser recíproco. E alguns disseram que não esperariam amor algum; iriam vivendo, porque viver requer pressa.

Mas... amar não faz o tempo parar?

É exatamente essa sensação que muitos sentem ao se inebriarem pelo amor e pela reciprocidade do envolvimento afetivo. Amar a dois faz bem e nos motiva a viver. Amar faz nos sentirmos jovens e voltar a ter a vitalidade dos 20 anos. O amor verdadeiro nos coloca para frente, nos engrandece e nos deixa melhor do que somos. O beijo nos encanta, o olhar nos prende e o silêncio nos fala tudo que queremos ouvir. Ele, o amor, nos basta nesse momento.

Por esse amor descrito você esperaria quanto tempo? Todos temos tempos diferentes de espera.

Esse amor que envolve, cativa e encanta o dia a dia deixa a gente livre e ao mesmo tempo ficamos ligados no outro.

Alguns acreditam que seja mais fácil esperar do que desistir. Eu diria ao contrário. O desistir pode parecer mais acessível, levando as pessoas a partirem para a tentativa de outro amor. Mas esperar não é para todos. Esperar se torna um ato mais difícil por ser muitas vezes vazio no tempo. Um vazio que chega a doer na alma. Uma espera que nos faz sentir com os olhos fechados o sabor do beijo dado, o cheiro do outro em nós e a presença constante que nos move no tempo.

Assim, esperar é um projeto sonhado a dois quando se ama verdadeiramente alguém. A espera é uma renúncia para muitos, mas um ato de coragem e grandeza para quem ama e deseja viver a plenitude desse amor. Certa vez o Pe. Fábio de Melo nos disse que: “O importante é saber, que em algum lugar deste grande mar de ameaças, de alguma forma estamos em travessia...”. Porque é na espera, que já se encontra o sentido de ser; é na espera que já sentimos ser melhores do que somos em amar!!!

 

Texto disponível também em minha coluna no site UOL/Mulher:

 http://www2.uol.com.br/vyaestelar/quanto_esperar_por_um_grande_amor.htm

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Não aceitar separação pode trazer revolta e desespero

Todo fim de relacionamento, seja ele amoroso ou não, deixa conflitos e marcas para enfrentar nas futuras relações.
Recomeçar é um grande desafio e percebo isso em minha prática clínica diariamente.

Raiva, insegurança, carência, saudade, dor e desejo de vingança muitas vezes fazem parte do repertório vivido por quem passa pela revolução provocada pelo fim de um relacionamento.

O sofrimento, muitas vezes negado por muitos, se repercute nas relações posteriores, principalmente se não for bem compreendido e digerido.

Em meus atendimentos percebo que o processo de separação, quando não aceito, se divide em duas fases: a do protesto e a do desespero. De um lado, a reação de protesto, a pessoa abandonada tenta resgatar e recuperar o objeto de seu amor na tentativa de compreender o que fez de errado e o que poderia reacender o interesse do outro para um movimento de volta. Por outro, a reação de desespero quase sempre é tomada por momentos de fúria, mesmo que a relação tenha terminado de forma transparente e sincera.

Compreender de onde vem esses sentimentos que se apropriam nesse momento, é a chave principal para fechar ciclos afetivos e não repetir padrões de comportamentos em futuros relacionamentos.

Feridas fazem parte da vida de todos que se relacionam e um dia terminam um relacionamento. No entanto, é possível aprender a lidar com elas e se libertar da dor e de seus conflitos afetivos.

Na psicoterapia as pessoas têm a oportunidade de transformar dores que sangram em cicatrizes e histórias resolvidas.

Texto disponível em também em minha coluna no site: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/nao_aceito_o_fim_do_relacionamento.htm

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É amor ou conveniência?

Em determinado instante da vivência de um relacionamento, que passa por várias fases, é comum as pessoas se perguntarem: É isso mesmo que eu quero? Ficar nesse relacionamento é mesmo o melhor para mim?  Ter a coragem de investir numa relação que se desgastou, sempre é uma hipótese que o casal se utiliza, mas nem sempre gera o fruto esperado. Isso se dá por dois motivos: ou acabou o amor ou não conseguem por si só resolver as questões e mudar a dinâmica do relacionamento.

Já ouvimos muita gente dizer que tem medo de ir a um psicólogo porque acha que se for, tudo terminará em separação. Afinal, será isso mesmo? Bem, o que acontecerá numa terapia será o fortalecimento das pessoas envolvidas na relação para poderem, com autonomia, decidirem sobre o que é melhor. É um grande equívoco pensar que psicólogo separa casais; aliás, há muito mais casais que permanecem unidos do que aqueles que decidem se separar após uma terapia, pelo menos essa é a estatística de nossos consultórios. Mas separar, caso as partes decidam ser o melhor, não é igual a “fracasso”. Fracasso é viver a incongruência de viver o que não mais existe. Vitória é saber dar vida ao que ainda tem possibilidade ou saber sair inteiro de um casamento, apesar de tantas perdas.

Mas a pergunta que parece existir na cabeça de muitas pessoas que chegam à nossa clinica é: Será que ainda tem jeito? Será que eu amo meu cônjuge? Estou por amor ou conveniência. O maior de todos os inimigos, para se chegar a uma resposta correta, é o medo. As pessoas temem que o caminho do autoconhecimento leve a uma decisão de divórcio que implica perdas, julgamentos maledicentes em incertezas sobre o futuro, etc. Diante de um receio de o casamento ter um fim, mesmo estando insatisfeito com ele, fica uma revolta que compromete a felicidade de todos. É nesse momento que o casamento passa a ser algo automático, dando vez ao que se chama de “conveniência”. Tudo passa a se justificar no que não está na centralidade da relação, ou seja, o amor entre o homem e a mulher, e passa a ser periférico: os filhos, o patrimônio, o medo da solidão, etc. A partir disso, o casamento passa a ter uma sentença escravizante: “não está bom assim, mas tenho que suportar isto”. O resultado é que a parte de inconformação em quem vive essa “prisão” estará gerando o desconforto para quem a ela se submete que, por sua vez, não deixará tal situação sem relevância e passará a desprezar e diminuir seu parceiro, transformando o casamento num grande inferno astral.

Temos estudado esse fenômeno e, em breve, quem sabe, publicaremos um livro sobre o assunto… Ou seja, um dos cônjuges por não mais querer o casamento e nem ter a coragem de pedir a separação, simplesmente passa a tornar a vida do outro insuportável para que este outro tome a atitude de dizer: quero me separar. É dessa maneira que o cônjuge que promove esse assédio estará se livrando da responsabilidade de assumir uma decisão (interiormente tomada, mas não assumida publicamente) deixando que o outro decida, para assim não ser responsabilizado pela “sociedade” e “amigos” como o culpado pelo desfazimento da relação e nem mesmo passe a carregar uma “culpa” que atormentará nos instantes mais difíceis patrocinados pelas perdas que uma separação ocasiona.

O casamento, sob o aspecto unitivo e sagrado, é bem mais que uma convivência sob o mesmo teto. É espaço de amor que se alimenta no fluxo do ir e vir desse sentimento.  Saber diagnosticar se o que mantém uma relação é conveniência ou amor (vivido ou adormecido) é pergunta a ser direcionada ao coração, que merece todo cuidado e, dependendo da situação, favorecido sob o olhar científico de um profissional.

Por: Karina Simões e Fabiano Moura de Moura

*** Em breve nós estaremos ministrando o curso / workshop sobre relacionamentos
 *** Vagas Limitadas
@karisimoes @fabianomdemoura

Inquietações cognitivas dos relacionamentos

As inquietações cognitivas e afetivas dos relacionamentos são as mesmas anos após anos. As angústias amorosas das pessoas vêm sempre junto com as expectativas frustradas em relação aos parceiros (homens), principalmente.

Escuto assim em meu consultório: "porque eles traem tanto?", "porque nos abandonam?", "porque não me dá atenção". A mudança que vem acontecendo no casamento, em geral, é que esta instituição vem ficando mais frágil. Ou seja, numa sociedade líquida e vulnerável, como diria Z. Baurman, as relações facilmente se desintegram.

Há mais de duas ou três décadas, os casamentos supostamente se apresentavam mais sólidos devido ao fortalecimento mútuo, ou seja, o casal tinha uma tendência a começar a vida a dois com muita dificuldade e as conquistas das vitórias eram curtidas juntos dia a dia. Uma moradia, um carro novo, um novo emprego etc. Tudo isso era conquistado junto. Atualmente, casa-se com apartamento comprado e montado; carro, cada um já tem o seu, assim como um emprego fixo etc. E, quando esse casal recém-casado passa pela primeira dificuldade, os alicerces afetivos se estremecem e se instalam as crises conjugais logo no início do casamento.

Cada vez mais a mulher vem ocupando um espaço que anteriormente era apenas de homens. E com isso, vem ocorrendo uma confusão entre o papel masculino e o feminino. Pois, quando a mulher fica mais independente, a difrerença entre o casal diminui, e aí surgem os problemas. Muitos homens não estão preparados para essa evolução feminina, e muitas mulheres também não sabem lidar com a sua própria autonomia conquistada. Assim, uma nova crise conjugal tende a se instalar. A difícil arte de conviver com uma mulher inteligente, linda, poderosa e bem sucedida é para poucos!

Porém, assumir o papel do homem provedor também não é nada fácil para eles. Num mundo onde as mulheres se ligam à inteligência, ao poder financeiro, à personalidade forte que eles exercem.... E quando eles não preenchem esses requisitos, perdem, portanto, a admiração delas.

Todos esses fatores evolutivos da sociedade moderna vêm fazendo que as regras e valores da instituição do casamento mudem.

Mas, sempre é importante ressaltar que, as regras e valores mudam numa relação, mas a essência do sentimento pelo outro, pela parceria, pela cumplicidade, pelo respeito mútuo e admiração e pela vontade de crescer juntos... Isso não pode, nem deve mudar!

Como disse certa vez o Wagner Moura: "O casamento é uma instituição moderníssima. Hoje, nada mais obriga duas pessoas a estarem juntas, a não ser o amor."

Por: Karina Simões

Data: segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012