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O amor e suas palavras

Todo relacionamento deveria ter como base o amor, e é maravilhoso tê-lo e senti-lo numa relação. Porém esse sentimento não é o suficiente num relacionamento. É como se ele fosse o técnico de um jogo, mas não põe o time para jogar sozinho. Por quê? Porque o amor requer outros parceiros na relação para que o time entre em campo e saiba jogar de uma forma em que ambos ganhem. Assim, costumo dizer muito aos casais na clínica, que um casamento é mais que um jogo, e sim uma parceria a dois. Se não conseguirmos enxergar o outro ao lado como parceiro, mas sim como adversário, uma relação de disputa estará sempre estabelecida. E o que mais ensino aos casais é que a disputa entre eles é o começo do fim. Assim, não basta amar; é necessário falar sobre o ato de amar com o outro.

O silêncio da indiferença a dois é muito pior que uma briga. Engana-se quem pensa que as “DRs” (discutir a relação) servem para resolver problemas. Porque discutir problemas serve para reuniões, jogos, disputas, estratégias empresariais, etc. O que devemos aprender a executar a dois é criar um sentimento de ligação, estabelecer um vínculo afetivo para se sentir ouvido pelo outro, sentir-se amado, pedir garantias, desfazer fantasias e crenças disfuncionais.

Muitos casais se perdem com o tempo pela dificuldade em lidar com as diferenças estereotipadas entre o amor e a paixão. Sêneca, filósofo romano da escola dos estoicos, nos ensinou que devemos aprender a misturar e alternar a solidão e o encontro. A solidão nos dá o desejo do convívio social, e o encontro, o desejo de nós mesmos. Um completa a falta do outro, percebe? É assim com o amor e a paixão. O amor é uma intersecção, e a paixão constitui-se uma fusão. Ambos necessários.

Ter cuidado com as palavras no relacionamento é um passo fundamental para a longevidade afetiva saudável do casal. Pois da mesma forma que palavras afetivas constroem alicerces, algumas palavras mal colocadas e disfuncionais podem aumentar o muro da distância entre os casais quando usadas como armas de ataques com o objetivo, muitas vezes, gratuito, de apenas ferir.

Assim, lembre-se que o amor no relacionamento estará sempre ligado a três: ele (ela), o outro e a palavra. Um trio que deverá sempre ser cuidado para que não vire uma arma fatal na relação. Pois, em mais de 15 anos atendendo a casais, posso afirmar que a primeira arma utilizada no casamento quando começa a desandar, são as palavras mal usadas, que ferem, machucam, deixam marcas, muitas vezes, irrecuperáveis. Há magia nas palavras, como disse certa vez em “O Lutador” de Carlos Drummond de Andrade: “Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco.”

Não é quando o amor acaba que uma relação chega ao fim... Mas quando acabam as palavras entre eles! No entanto, nem todo silêncio significa falta de palavras, muitas vezes, o silêncio também é a resposta da sabedoria.
Por: Karina Simões Moura de Moura
@karinamourademoura

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O ano começou... Que seja bem-vindo 2017!

Todo começo de ano nos revela uma série de sentimentos que ficam em ebulição dentro de nós para serem novamente vividos: a esperança, mais amor, mais afeto, mais paciência, mais gentilezas, mais tolerância.... e assim as pessoas vão "prometendo" que este será um ano diferente.

Também não são diferentes as promessas nos relacionamentos quando se inicia o ano. Os casais renovam os votos e tendem a querer tentar melhorar a vida a dois. Mas essa melhora a dois tem mesmo que ser tentada pelos dois para que um não se sinta muito pesado levando o relacionamento "nas costas", conforme escuto, com frequência, no consultório.

O relacionamento feliz é aquele no qual enxergamos sob a ótica do outro, sem que haja uma negação de si mesmo. Ou seja, consegue-se enxergar com os "óculos" do parceiro, e pedir que o parceiro enxergue com os seus "óculos" também. Sem que nenhum dos dois negue a própria realidade e os valores pessoais de cada um. Essa "troca" de visão faz com que exercitemos o processo empático no relacionamento e ajuda o parceiro a se colocar no lugar do outro.

Aprender a enxergar e a ouvir como o outro vê e escuta é um bom começo para se construir a felicidade a dois! Sempre digo muito aos casais, em atendimento, e comparo a vida a dois a uma obra de arte. Porque a vida a dois requer um aprendizado diário, uma construção eterna enquanto juntos. É um demolir e reconstruir sempre!  É um restaurar e cuidar sempre! Ou seja, o viver a dois será sempre como uma arte, porque na arte cada um enxerga e sente de uma forma própria. A arte é a subjetividade de sentimentos. É como um quadro ou uma pintura que jamais acaba ou que terá uma finitude no olhar, isto é, cada um que olha para uma obra de arte enxerga um detalhe e tem uma visão própria. Assim são os relacionamentos, em cada momento vivido acrescenta-se uma cor ou um detalhe. Porque os sentimentos vividos podem ter cores quando se ama. O amor tem a cor que você sente que tem a dois. Pinte você a cor de seu relacionamento e viva a felicidade do colorido a dois!

Por: Karina Simões Moura de Moura
@Karinamourademoura

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Janeiro Branco

A mente humana define quem somos e como vivemos e a ciência mostra que podemos ter uma vida bem melhor se soubermos cuidar da nossa história, dos nossos pensamentos, das nossas emoções... Janeiro Branco é um movimento de conscientização e enfrentamento ao preconceito. Vive melhor quem sabe cuidar de sua mente, de seus relacionamentos, de seus projetos de vida etc., ou seja, da sua saúde mental. Faça uma experiência. Procure o seu psicólogo e saiba, você mesmo, o que por uma psicoterapia você é capaz de sentir.
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Quanto da vida há na morte?

Entre tabus e certezas se vive. Vimos o Brasil chorar diante de uma tragédia que vitimou a equipe de futebol da Chapecoense. Foram dias de comoção nacional. O Brasil chorou, e choramos juntos. Eu pude ouvir muitos relatos de mães, pais, adolescentes e idosos que estranharam a emoção de seus parentes diante da tal tragédia. Muitos ainda se inquietaram com a comoção nacional e não entenderam tamanha ebulição emocional de tantos!! 
O luto não reconhecido é aquele que parece não ter legitimidade, como se a dor que permitisse o choro fosse exclusiva para casos de morte de pessoas com quem exista relação de vínculo e afeto. Entretanto, lágrimas não se sujeitam às regras de DNA e nem mesmo a qualquer lei. As lágrimas pertencem à sensibilidade de muitos, à solidariedade de tantos outros e a quem tem o coração regado a verdades sinceras. A sensibilidade nasce da verdade empática de se colocar no lugar do outro. Quantas mães se emocionaram ao ver o desespero das genitoras daqueles atletas? Esposas, filhos, parentes e amigos também! Quantos jovens derramaram seus prantos por sonharem ter a vida daqueles jogadores? Não há limite nem barreira que impeçam o coração de sangrar. Que bom que ainda é possível sofrer com a dor dos outros. Como é bom saber que a cegueira tão bem descrita por Platão ou Saramago não tornou insensível o coração de nosso povo. Ainda somos emoção! 
Que brava conquista!!! A recente equipe da Chapecoense nasceu para fazer campeão um país inteiro. Somos campeões na dor, em meio a um país que vive uma crise, paramos e sofremos juntos, porque temos solidariedade nas veias! Mas o que fica disso tudo, muito além de um testemunho de solidariedade, é a sempre renovada pedagogia da morte. Ela traz luzes à vida com suas afirmações e visitas inusitadas. A morte aprendeu a bater à porta também de quem menos se espera. E, por isso mesmo, nos faz refletir sobre o modo como vivemos e gastamos nossas energias. A morte talvez seja a incerteza mais contraditória de nossa existência, nos dando a maior de todas as certezas de que ela vai chegar! Mesmo sempre tão inesperada. 
No jogo da vida é preciso não esquecer que a "partida" não se encerra por aqui, justamente porque a presença não se mede em tempo. Sempre serão eternos aqueles que ficarem em saudade. 
Eis a minha homenagem à Chapecoense. Somos todos Chapecoenses! 

Texto disponível em minha coluna UOL:
http://vyaestelar.uol.com.br

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Perdoar é preciso e faz bem à saúde!

Em épocas de tantas facilidades e evoluções tecnológicas de comunicação, estranhamente, percebemos que muitas pessoas carregam as suas dores e travam uma luta interior, e com isso esvaziam as dores, muitas vezes, nas redes sociais. Isso vem se agravando, pois, pensamos erroneamente que as tecnologias iriam apenas aproximar as pessoas a fim de se criar laços mais fortes de união. Mas o que tem acontecido frequentemente, é que a tecnologia e as redes sociais têm afastado as pessoas que estariam a princípio, tão próximas. Por essa razão e outras, viver e conviver com tudo e com todos tem se tornado uma tarefa árdua, a qual precisa sim de um especialista para orientar como devemos nos conduzir nesses novos tempos.

As pessoas tem feito uso das redes sociais, por exemplo, como mecanismo de catarse, ou seja, de desabafo das raivas sentidas ou decepções e frustrações que passam com os outros. Pronto! Jogam tudo na “rede” no mundo virtual como uma forma de catarse psíquica. E parecem sentir supostamente um alívio ao postarem as mágoas, no entanto, o efeito positivo não dura tanto tempo. Logo todo sentimento não elaborado na mente da forma correta volta a consumir por dentro e corroer como pensamentos negativos obsessivos e recorrentes, trazendo consequências e prejuízos significativos aos pensamentos e aos comportamentos do indivíduo futuramente.

Por vezes, torna-se muito fácil magoar e ser magoado. O ato de perdoar é em si, acho que podemos chamar de divino, não por se conceder o perdão ao outro, mas sim por, prioritariamente, aliviar o fardo que a gente carrega no íntimo do nosso ser. Como consequência, a leveza se instala, a vida se torna mais bela e a saúde retoma o seu ponto de equilíbrio; enfim, tudo flui de forma harmoniosa. O seu coração? Ah! O seu coração bate suavemente e agradece. A energia ou sensação da emoção emanada retorna mais cedo ou mais tarde. É a lei do retorno da vida. A lei do “faça o bem que o resto vem”, e esta lei é implacável e imbatível. Portanto, o tempo urge. Pratiquemos a generosidade do ato de perdoar, relevar, minimizar as ações que hoje parecem ter um grande peso para que o amor possa florescer na sua plenitude. Pois o melhor caminho será sempre o do perdão.

Em meus atendimentos clínicos consigo observar que atualmente, encontramos muitas pessoas amarguradas e com sentimentos de rancor e raiva, fazendo com que muitas dessas pessoas adoeçam psiquicamente e fisicamente, pois assim somatizam as doenças. Saber trabalhar psiquicamente o ato de perdoar é um dos maiores sinais de maturidade e grandeza que o ser humano pode apresentar. Segundo as pesquisas, pessoas que perdoam, vivem mais e de forma mais saudável. A saúde nas esferas física, psíquica, espiritual e mental agradece, e a vida toma um novo rumo. A pessoa desperta, cresce internamente e se autoavalia de que aquilo que a machucou naquele contexto de vida, hoje já não faz mais sentido, ou não tem mais aquele “peso”. Ela não tem nada a ganhar ao carregar essa marca da ferida na lembrança dos seus vários corpos.  Ao contrário, a marca do perdão suplanta tudo e faz novo o amanhecer a cada dia.

Mas finalizo com Martin Luther King que nos disse: “Aquele que é incapaz de perdoar é incapaz de amar”. Pense nisso!

Por: Karina Simões Moura de Moura

@Karinamourademoura

Texto disponível em minha coluna UOL:
http://vyaestelar.uol.com.br/colunistas/posts/45/karina-simoes