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Inveja: você sente?

Falar em inveja parece assustar as pessoas e também gerar um receio no posicionamento de assumir senti-la ou não. Segundo o dicionário Aurélio, a inveja é um desgosto provocado pela felicidade ou prosperidade alheia. Ou também um desejo irrefreável de possuir ou gozar o que é de outrem. Inveja vem do latim invidia que tem relação com a ideia de “ver” (em latim: videre). Já o prefixo in faz menção ao ato invejoso daquele indivíduo que lança um olhar de recusa e ódio aos bens e feitos alheios.

O filósofo Kierkegaard afirma que a inveja é uma admiração que se dissimula, e como sentimento dissimulado deve ser bem destrutivo senti-lo. No entanto, a grande questão da humanidade, no que diz respeito à inveja, é que as pessoas não se reconhecem invejosas. Até porque, como o próprio significado e conceito mostram, é triste e condenável senti-lo. Tomás de Aquino dizia que "a inveja é a tristeza pela felicidade dos outros, exultação pela sua adversidade e aflição pela sua prosperidade". A inveja é de fato um dos grandes males da humanidade.

Entender o sentimento da inveja é importantíssimo para o autoconhecimento, tendo em vista que é uma incapacidade de reconhecer uma falha própria, a dificuldade de aceitar o fracasso, bem como de alegrar-se com a alegria do outro. O que se configura, portanto, como um sentimento muito nefasto e sério. Pois, se alguém não se exulta diante do sucesso e conquistas do outro, isso implica questões internas não resolvidas. Segundo o historiador Leandro Karnal, sentimos inveja de quem está próximo de nós, ou seja, o famoso jargão "a grama do vizinho é mais verde que a minha?!".

Napoleão Bonaparte, líder político, afirmava que “a inveja é um atestado de inferioridade”. É possível se aperceber que o sentimento destrutivo é subjacente à inveja, sendo, portanto, a conquista do outro uma tristeza marcante para o invejoso. Isso denota frustração e ausência de crescimento interior a fim de poder visualizar tanto as próprias virtudes como as belezas e o sucesso inerentes à vida do outro ser.

Vemos, então, que a inveja já foi muito citada por ilustres pensadores, além de ser um dos sete pecados capitais. Mas, um dos escritos de Caio Fernando Abreu revela algo que nos acalenta: “Não choro minhas perdas, nem temo a inveja e o olho gordo que me rodeiam. Sou de Deus, quem não é que se cuide!”.  

 

Por: Karina Simões Moura de Moura @karinamourademoura

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Dormir bem é fundamental para o bom humor feminino

Estudiosos e pesquisadores da Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA), estudaram os hábitos de sono de 210 pessoas e descobriram que as mulheres que não dormem o suficiente ficam mais hostis e zangadas de manhã, em comparação com os homens que passam o mesmo tempo na cama. A explicação pode ser simples: a diferença hormonal entre homens e mulheres faz com que elas precisem de mais tempo de sono que eles. Para as mulheres, dormir mal é associado a um alto nível de aflição, grande sentimento de hostilidade, depressão e raiva. Nos homens, isso geralmente não acontece. Os estudos também mostram que as mulheres são mais propensas a desenvolver doenças cardíacas, depressão e problemas psicológicos que os homens quando não dormem bem durante um período longo da vida.
As mulheres muitas vezes precisam dividir suas tarefas entre os compromissos profissionais, pessoais e familiares e é comum que muitas delas sofram com dificuldades para ter uma boa noite de sono. Escuto com frequência, em meu consultório, relatos femininos sobre a insônia, ainda mais quando há algo que perturbe a mulher emocionalmente e que necessite de uma solução. Para se ter uma noite tranquila de sono, o ideal é seguir as recomendações abaixo:

Dicas para higienização do sono:

  1. Tente dormir em horários regulares todos os dias.
  2. Treine seu cérebro evitando os cochilos.
  3. É importante vincular a cama apenas ao ato de relaxamento e dormir. Nada de ler, estudar ou falar ao celular na cama.
  4. Evite discussões e agitação psicomotora perto e antes de deitar-se.
  5. Evite atividade mental excessiva próximo à hora de dormir. Se estiver preocupada na cama com o que tem para fazer, levante-se e anote uma lista e volte para a cama. Mas tente esvaziar a mente após a anotação.
  6. Reduza a quantidade de líquido ingerida antes de deitar-se.
  7. Não force seu cérebro a dormir, pois isso pode apenas aumentar a frustração.

Dormir bem é condição indispensável para o bom humor e, mais que isto, para o nosso bem viver. Cuidemos todas para que tenhamos um sono que nos favoreça a viver lindos sonhos!
Aliás, ser mulher é viver a alegria de ser sempre "sonhada" por quem ela vive a sonhar... dormindo e, fundamentalmente, acordada!!!

Por: Karina Simões Moura de Moura

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Felicidade silenciosa

No silêncio de cada coração vive a verdade de cada um. Embora ela tente, não consegue esconder-se por muito tempo. O corpo não guarda segredos e nem consegue disfarçar a emoção.
É curioso perceber que aquilo que se pretende exibir é, por vezes, o que não se é, e o que não se vive. Nunca esteve tão em evidência o "exibicionismo".
Não posso criticar condutas que servem para sustentar uma dor. Afinal, por que se contrariar com a ideia de que se é feliz mesmo sem ser? Não queremos perder a ocasião de postar um lugar bonito, uma comida gostosa, um selfie que diga para o mundo: estou tendo a oportunidade de sorrir! Se isso é verdade ou não, fica para cada um; aliás, enquanto se posta e se acompanha as curtições, é possível "estar feliz" com isso.
A felicidade dos outros, muitas vezes, gera revolta. Isso se dá, talvez, pela confrontação da vida do outro com a de quem a vê nas redes sociais. A verdade é que a felicidade alheia incomoda sim e gera inveja.
É sabido que a autoimagem é fruto de um olhar próprio que considera também o julgamento do outro. Ou seja, somos o modo como nos vemos com a conjugação do olhar dos outros.
Se isso é verdade, que se angariem mil aprovações, porque a partir do que se propaga cria-se um estado mental positivo de si, pouco importando se antes a felicidade existia ou não.
O fato é que quem sabe ser feliz não deve nada a ninguém. Não é verdade?
Mas façamos de nossa felicidade uma prática verdadeira, e por que não silenciosa?!

Por: Karina Simões Moura de Moura

Disponível também em minha coluna UOL : http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mulher.htm

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A sinceridade tem duas facetas

Atualmente, fala-se muito nas redes sociais sobre a sinceridade. Chuva de posts borbulha nas mídias em tempos de crise política nacional. A questão é que se a sinceridade for ministrada em dose única, ela poderá não ter o efeito colateral desejado; porém, se for empregada em megadoses, seus efeitos são devastadores causando uma série de transtornos, muitas vezes, tanto para quem expressa quanto para o interlocutor. Em tudo na vida, o bom senso deve ser a terapêutica utilizada. Deve-se considerar uma série de fatores a serem utilizados quando se deseja fazer uso da sinceridade de forma mais massiva. Toda cautela deve ser empregada quando do uso da sinceridade. Essa deve ser revestida de elementos variados de habilidades sociais que incluem: observar o local de exposição dessa “verdade”; a hora; quem está ao redor; averiguar se a outra pessoa está num momento psicológico favorável para ouvir e aceitar aquela declaração, o tom de voz, a escolha das palavras adequadas, etc. Tudo isso se faz necessário ponderar a fim de que a relação interpessoal não venha a sofrer descontinuidade, mas sim que essa revelação venha contribuir para que a amizade seja pautada em laço de afetividade e que, portanto, o clima de confiança se instale ou mesmo se alargue. Aí entra o clichê: quem gosta ou está preparado para ouvir a verdade? 
Sim: pois a sinceridade parece ser irmã gêmea da verdade. Nesse processo de ponderação entre a ocultação de uma realidade que urge não ser dita e a revelação súbita sem qualquer avaliação esmerada de todo o contexto que a permeia, a verdade grita pela necessidade de se fazer refletir e analisar cuidadosamente antes de aquela fala ser expressa. Pois, como diz o provérbio chinês: “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”. Em qualquer dessas três, os efeitos deletérios são incomensuráveis. Por essa razão, ficamos com a verdade do filósofo Confúcio: “Não sei como pode ser bom um homem a quem falta sinceridade”.

Por: Karina Simões Moura de Moura

Texto disponível também em minha coluna UOL/Mulher.

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Trabalho ou família: trabalhar mais ou menos?

Há um velho jargão que diz: a vida é feita de escolhas. Sorte é um nome dado para se justificar o acontecimento desprezando o suor e a habilidade de estar e comportar-se de maneira certa, na hora certa e no lugar certo. Ou seja, negam-se o talento e o esforço, e atribui-se aos bons ventos o êxito existente.
Assisti novamente ao filme O Diabo Veste Prada e sempre volto a refletir sobre o que diz a personagem Miranda Priestly: "na vida ou se faz sucesso no trabalho ou na família”.
Com um mercado cada vez mais competitivo que exige mais dedicação e empenho, sobressair no ambiente profissional exige renúncias. Não é à toa que se veem grandes empresários, médicos, psicólogos, gestores com uma carga horária de trabalho que ultrapassa o aceitável, mas ninguém pode negar que este é o preço dos que se destacam no ranking dos excepcionais.
Já ministrei palestras para grupos de esposas e esposos cujos cônjuges se  sobressaem na área de saúde e no grupo foi percebida a dor dos familiares pela ausência de seu ente no lar. Era facilmente percebível a inconformação com o familiar, embora a admiração pelo profissional permanecesse intacta.
Não há um modelo exato para se dizer o que está e o que não está certo, e se essa decisão é comum ou individual por estar no campo pessoal da vocação. O fato é que casais se conflitam com frequência acerca deste tema.
Ser um profissional mediano que assista a sua família ou ser um profissional excepcional que reserve pouco tempo à convivência com o cônjuge e filhos não é escolha das mais fáceis.
Cada cabeça é um mundo e no mundo particular de cada pessoa, o que vale é a felicidade.
O bom é que o cônjuge e os filhos vivam a cumplicidade de sonhos, e que essa dinâmica profissional até possa ser um sinal para a adequação de excessos ou comodismos a fim de que tudo se ajuste com harmonia... e que toda escolha, entre o mais e o menos, seja motivo de felicidade. Simples assim!

Por: Karina Simões Moura de Moura
Texto disponível em minha coluna UOL: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mulher.htm