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(In)sensatez em redes sociais?

Será que ando equivocada ou as pessoas estão exagerando nos seus posicionamentos e exibições em época de tantas mídias sociais? Até que ponto o outro tem o direito de publicar uma foto de alguém desconhecido, conhecido ou mesmo amigo sem a devida indagação para fins de autorização por parte do autor da imagem?
Sim: não é surpresa vermos, atualmente, pessoas publicando fotos de amigos sem, ao menos, solicitar a devida permissão. Você acha que estou exagerando no quesito “politicamente correto”? Não! Bom senso deve fazer parte sim da nossa vida cotidiana em todas as esferas, não só no contato com o vizinho ao cumprimentá-lo com um “Bom dia!”, mas, principalmente, nas mídias sociais, hoje uma nova forma de conhecer e interagir com pessoas, e com isso, requer regras de etiquetas e educação. Esse ato que parece inocente perpassa não somente por questões jurídicas, mas tem também uma forte influência de componentes psicológicos, acarretando consequências sérias para a vida pessoal, familiar, conjugal e profissional. Pois, muitas vezes, alguém que saiu na foto "não autorizada" pode ter se sentido mal ou não gostar de exposições, por exemplo. E com isso, levá-lo a um estado de ânimo rebaixado ou alterado e até conflitos conjugais. Há umas semanas, o país foi surpreendido com uma foto de um casal de aparência de classe de elite, sendo acompanhado por uma babá, devidamente uniformizada, que cuidava do filho do casal, trabalhando em pleno domingo. Afora as questões legais, que o rapaz da foto postou em forma de autodefesa, muito apropriadamente, pois ele tem o direito de ter uma empregada doméstica aos domingos, uma vez que esteja de acordo com a lei, mas o fato aqui que me chamou atenção foi a falta de privacidade a que estamos expostos hoje em dia. Acrescentando a isso, indago que direito tem alguém de fotografar uma família ou alguém que seja e postar nas mídias sociais? E em seguida sair julgando por aí. Esse fenômeno surgiu com o advento da TV, quando todos desejam ter um minuto de fama. No entanto, hoje este ato está se caracterizando uma invasão de privacidade. Mas agora, como diz Umberto Eco, o grande filólogo, “O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. E, aqui questiono: que verdade? Cada um de nós carrega a sua verdade com a sua história de vida, com seus valores, conceitos que devem sim ser respeitados. Da mesma forma que somos uma sociedade em processo de aprendizagem de respeito à faixa de pedestre, à vaga de estacionamento para idoso, etc., devemos aprofundar essa prática e respeitar o direito do outro também nessa esfera. Pensemos nos possíveis ruídos e consequências antes de postar alguma foto ok?! Assim, regras de etiqueta e bom senso vale para a vida real e virtual também!!
Por: Karina Simões

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Procrastinar é um problema de saúde comportamental?

A pesquisadora Rachel Kerbaury nos fala que procrastinar é o comportamento de se adiar tarefas, de se transferir atividades para "outro dia" que não o atual; deixar de fazer algo ou - ainda - interromper o que deveria ser concluído dentro de um prazo determinado. Esse é um tema bem comum, na verdade, dentro e fora dos consultórios de psicologia. Sempre nos deparamos com pessoas que se mostram com comportamentos desadaptativos e com dificuldade em cumprir as suas tarefas, compromissos e responsabilidades. Mas explico melhor nas linhas a seguir que o que importa mesmo é a forma como a pessoa encara essas reações de procrastinação. Pois, esse comportamento implicará uma ansiedade, assim como também uma angústia.

Muitos estudos comportamentais questionam a gênese da procrastinação. Sempre se escuta dizer que o brasileiro deixa tudo para última hora. Por que será?

O fato é que o adiamento do que precisa ser resolvido pode gerar grande desconforto pela preservação de uma angústia com a não solução do “problema”. Numa decisão deste tipo o que pesa é o imediatismo, ou seja, o prazer momentâneo em detrimento de uma situação desconfortável que precisa ser resolvida. O equilíbrio é fundamental. De uma forma ou de outra, podem surgir dois sentimentos que causam sofrimento: angústia e ansiedade. As pessoas afeitas à procrastinação fazem a opção inconsciente do cultivo da angústia, uma vez que é desconfortável saber que ainda tem que resolver algo difícil. De outro lado, estão aquelas pessoas que não sabem ter o equilíbrio para deixar de resolver as suas questões naquela hora. Estas pessoas são profundamente ansiosas.

Ansiedade, sensação de culpa, perda de produtividade e, muitas vezes, vergonha em relação e em comparação aos outros por não cumprir o que foi proposto, são as sensações que uma pessoa que procrastina sente e sofre com o quadro. Pois, embora possa parecer um cenário normal e frequente, pode tornar-se um grave problema impedindo o funcionamento normal do indivíduo afetando áreas significativas da vida.

Ter a habilidade e saúde psíquica para agir no tempo certo sem que isso provoque uma elevação de angústia ou de ansiedade é o mais importante para todas as pessoas. Vejo crescente entre nós a prática do coach que estabelece metas e define programas para atingi-las e, sendo ele bem feito, nunca deve esquecer-se da verdade emocional de cada um. Por outras palavras, não basta definir metas e prazos a serem alcançados, pois tudo tem uma verdade subjetiva e a forma como se alcança determinado objetivo é mais importante do que o tempo levado para conquistá-lo.

O adiamento ou o imediatismo trazem repercussões diferentes em cada pessoa. Numa visão rápida, porém psicológica, percebo que as mulheres, de maneira geral, salvo exceções, têm a habilidade de melhor se portarem frente a alguns desafios do dia a dia. Parece-me que a serenidade feminina é uma característica bem marcante, talvez por isso que popularmente se fale que a mulher é o equilíbrio do lar; aliás, escritos religiosos como a Bíblia consignam tal afirmação. Contudo, os tempos modernos, que têm modificado profundamente os papéis sociais, mostram uma elevação de angústia e ansiedade na mulher. Mas isso nos daria um novo artigo sobre o assunto.

Finalizando afirmo que fazer agora ou fazer depois é decisão que deve ser tomada a partir da medição dos níveis de angústia e ansiedade havida com a opção a ser escolhida. Por outras palavras, a sabedoria está em não se permitir um sofrimento que pode ser evitado na hipótese do fazer agora ou fazer depois.

Tudo tem seu tempo. E nenhum contratempo pode ser maior que a possibilidade de melhor viver.

Por: Karina Simões

Texto disponível em minha coluna: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mulher.htm

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Não é um mero detalhe!

Na precisão de um risco com um lápis, a mulher contorna os olhos e define a sua boca. Muito além do que parece insignificante, o jeito de cuidar dos detalhes fala bem mais que a superficialidade. Fala do estado de alma, da boa vaidade de ser mais bonita para si e para os outros. Quem diria que um cuidado a mais fosse capaz de revelar bem mais que exterioridades. É possível perceber que, além de uma verdade externa, um detalhe revela traços de uma alma, principalmente, os da alma feminina. As mulheres compreendem bem o que digo. Quando estamos de bem com a vida, caprichamos no toque feminino que deixa marcas por onde passamos.

Preocupamo-nos em embelezar ou tornar mais bonitos os ambientes e lugares em que exercemos o nosso reinado, como nossas casas e os nossos diletos espaços. Um jarro que se muda de lugar, uma nova foto no porta-retrato, uma cadeira para cá ou uma mesa de canto para lá. Tudo é movimento; portanto, é reflexo de uma alma que vibra e sente-se viva com as mudanças de detalhes. O importante é a noção da necessidade de mudança nos pequenos detalhes do dia a dia.
As mulheres são, por excelência, detalhistas e sabem que na fineza de ações há um tesouro a torná-las grandes.

Uma simples carícia, discreta, nas mãos de quem ama, faz chegar ao coração da pessoa amada a força estrondosa de seu sentimento. É comum ver casais, mesmo em tom de brincadeiras, fazer gozação que diminui o seu companheiro ou companheira, e neste detalhe se revela um desencontro ou insatisfação no relacionamento. No detalhe do que parece jocoso, por vezes, se esconde o propósito de revidar o que outrora foi guardado como dor em seu coração.

Na clínica, frequentemente, recebo muitos casais que apresentam queixas a esse respeito e, por conseguinte, descrevo agora sobre o tema em questão.

Detalhes não são insignificantes. Pense que em dois ou três segundos a mais, num flerte, a mulher se vê reconhecida em sua beleza pela pessoa amada; ou em um elogio de poucas palavras, como: "você tá linda" ou "eu te amo". Assim, a mulher vira rainha de seu próprio mundo e realidade.

Cuidemos dos detalhes e passemos a julgá-los grandes, porque toda diferença do que é comum habita neles. Tomemos consciência de que o coração mede com réguas próprias e tudo tem peso, forma e significado exclusivos.

O amor é tecido do mais casual detalhe e é exatamente ali que se reproduz o afeto. Ah, quer saber? O maior de todos os detalhes atende pelo nome de gentileza. Simples assim! Um mero, ou melhor, um grande detalhe.
Porque é no detalhe que se encontra o essencial!!!

Feliz dia Internacional da Mulher!!!


Por: Karina Simões
Instagram: @karisimoes

Texto disponível em minha coluna : http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mulher.htm

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Qual a diferença que se pode considerar?

Não são as desigualdades que nos tornam especiais. Ter a mais ou ter a menos tem a ver com a percepção de cada um. O tema do que é normal ou anormal é profundamente discutido em centros acadêmicos. Uns dizem que normal é o que está presente na maioria e anormal na minoria. Outros dizem que a anormalidade está relacionada com o tempo, uma vez que o que antes era anormal hoje não mais o é. Há ainda os que definem a anormalidade sob o aspecto cultural, pois o que é reprovável ou negativo para um povo não é para o outro. Tudo não passa de perspectivas que se valem de lentes diferentes. Para os poetas, é normal ter a sensibilidade do olhar que enxerga a alma muito além das aparências. E na cegueira normal de muitas pessoas que pensam tudo ver de forma diferente está a trava do preconceito, o qual se fundamenta na visão distorcida de verdades morais.

Quero a cegueira do deficiente que não vê as diferenças preconceituosas. Quero a velhice dos vencidos pelo tempo que não torna impura a diferença de idades. Quero a compreensão ilimitada de quem não legitima as diferenças por circunscrição geográfica. Quero o daltonismo de quem não vê a diferença preconceituosa de cor. Quero a imperfeição dos imperfeitos para poder ser menos imperfeito do que sou.

Karina Simões (Psicóloga Clínica)
Fabiano Moura de Moura (Psicólogo Clínico)

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Microcefalia: pequeno cérebro... nenhum coração?

Culturalmente tem se falado que a figura do macho se vincula à proteção e segurança de sua prole, enquanto a figura da fêmea volta-se ao cuidado, notadamente, da espécie humana. A teoria evolucionista já fabricou inúmeros trabalhos nesse sentido. A antropologia faz uma análise dos papéis do homem e da mulher no tempo e, por seu turno, a psicologia contribui com sua leitura para a compreensão dos comportamentos humanos.

Existem estudos que pretendem uma maior compreensão sobre o término das relações conjugais diante do nascimento de um filho com deficiência. Parece ser inegável que o nível de estresse dos cuidadores sofre alteração conforme a ocorrência de uma situação de deficiência. Tornou-se visível que em situações de dificuldades o homem tende a esquivar-se da relação, diferentemente da mulher que tende a dar continuidade à conjugalidade. Lembra o filósofo Luiz Felipe Pondé, em recente comentário na TV Cultura, que em situação de prisão, por exemplo, as mulheres continuam a visitar seus companheiros fazendo filas de espera, e tal prática não acontece quando a mulher é a prisioneira e o companheiro não a visita, abandonando-a muitas vezes. Ou seja, Pondé nos lembra de que historicamente o gênero masculino teria uma dificuldade maior do que a mulher em lidar com a adversidade. Outros estudos evidenciam o abandono do lar pelo varão em situações de dificuldades, especificamente em caso de deficiência. Como se vê, a regra do abandono do lar por parte do homem que tem um filho deficiente parece estar se confirmando também com a microcefalia, de acordo com a reportagem recentemente exibida na TV mencionada. O que nos leva ao questionamento: por quê?

A dinâmica de um casal que tem um deficiente sofre profunda modificação. Os hábitos, os comportamentos e práticas passam a ter novos repertórios. A deficiência de um ente querido revela-nos certa fragilidade pela incapacidade resultante da própria limitação decorrente da anomalia. Embora necessite de maior estudo, levanto algumas hipóteses para uma compreensão do fenômeno: seria a exposição dessa fragilidade que leva o homem a abandonar o lar ou as privações de convívio social que tornam insuportável para o homem a sua permanência em seu casamento? Será que os homens sentem-se ameaçados ou trocados por sua esposa que dispensará mais tempo e dedicação ao seu filho? Sabe-se que o cuidar é papel presente no imaginário masculino diante de uma realidade cultural e, no dizer psicanalítico, uma busca de todo homem para o reencontro com sua mãe, teoricamente, cuidadora por excelência.

Em recentes pesquisas, aventou-se a possibilidade do contágio e contaminação do vírus da zica pelo sangue e saliva. Seria esta, também, uma hipótese para fundamentar o abandono masculino do lar, ou seja, estaria o homem com medo de sofrer algum prejuízo mental com a convivência com a mulher diante das poucas ou quase nenhuma informação sobre a matéria?

A discussão e o debate merecem maior atenção para que este fenômeno social possa ter seus danos minimizados. Com efeito, haverá grande sofrimento diante do que se escreve acerca do abandono no inconsciente das partes envolvidas. Para o deficiente, é muito grande a responsabilidade de sentir-se causador da separação. Para a genitora, além do desafio de criar sozinha seu filho, há o sentimento de impotência e culpa de não ser capaz de atender aos desejos de seu companheiro. Para o homem, a negação de seu dever “moral” e até social de não ter se responsabilizado pelo melhor desenvolvimento de seu filho deficiente e a falta de cumplicidade com sua companheira, a quem deixa todo o dever e compromisso com a atenção ao filho em comum.

A epidemia de microcefalia traz mais este fenômeno para o nosso meio. Mantendo-se esta estatística já validada em outros casos de deficiência, haveremos de ter um novo desafio: como evitar a ocorrência dessas separações ou como minimizar seus efeitos? Não seria o caso de se pensar em assistência psicológica gratuita na rede pública de saúde para todas as famílias em que há o registro de microcefalia decorrente do vírus da zica, e até de outros tipos de deficiências, independente de mosquitos em nossas vidas? Como garantir condições diferenciadas de assistência à mãe de deficientes, inclusive com relação à pensão alimentícia, para que uma melhor estrutura favoreça melhores condições de vida ao deficiente e à sua genitora que sozinha criará seu filho?

Ficam aqui os questionamentos como provocação ao debate. De minha parte, fica o estarrecimento diante do que um mosquito tem causado na vida de tantas pessoas mundialmente. Onde chegamos: agora, um mosquito além de definir o tamanho do cérebro, também estabelece a dimensão de um “coração”. Pelo que se vê o mosquito fez com que muita gente deixe de pensar e, o pior, deixe de amar.

Por: Karina Simões

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Texto Disponível em minha coluna UOL/mulher: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mulher.htm