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Gravidez em tempo de vírus da zica

Não bastassem as incertezas de toda grávida quanto à saúde de seus bebês, que são comuns, a "epidemia" de microcefalia tem transformado a vida de milhares de mulheres numa angústia que parece só ter fim ao terem os filhos nascidos aos seus braços.
A ocorrência de inúmeros casos de má formação fetal transformou a vida de milhares de pessoas e de famílias. Tudo mudou. Desde a forma de se vestir, ao uso de produtos químicos, tipo de repelentes ao inseto, passando pela privação e evitação de frequentar determinados lugares públicos. Houve profunda modificação nos hábitos e comportamentos das gestantes. No consultório, tenho atendido a grávidas em estados de angústia elevada retroalimentados pelos desencontros de informações científicas e ainda a falta de conhecimento total diante do mal que bate à porta: o mosquito! O efeito psicológico disso tudo para essas mulheres e para os nascituros somente o tempo dirá. De fato, a situação de gravidez gera um sofrimento psíquico a qualquer gestante diante da real possibilidade de ser infectada pelo vírus da zica. Penso que quase a unanimidade das atuais gestantes no Brasil está atormentada pelo receio de serem infectadas. Este fato, por si só, é relevante e precisa de especial atenção das autoridades brasileiras e profissionais da saúde como um todo, uma vez que pesquisas científicas atestam que o estado psíquico da mãe gera direta interferência no feto. Cada vez mais são alarmantes os danos causados por um mosquito que veio para tirar o sossego dos brasileiros e modificar a dinâmica rotineira familiar.
Diante deste fato que aqui chamo atenção, sugiro que o sistema de saúde brasileiro possibilite a assistência psicológica por meios de atendimentos individuais e até mesmo de grupo a essas mães como forma de amenizar seus sofrimentos e evitar maiores danos aos seus bebês.
Num país onde tudo se tolera, estamos literalmente engasgados com um mosquito!

Por: Karina Simões

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Não temos o controle da vida

Começo o ano escrevendo com emoção e comoção! Meu coração ficou apertado, minha alma ficou doída e os meus olhos não resistiram derramando-se em lágrimas ao me deparar com as homenagens às pessoas que sofreram o atentado de Paris, onde estive dias atrás. Fiquei paralisada e chocada em frente de cada carta, cada foto, bandeiras, flores, velas e adereços ali pendurados tentando retratar a dor de famílias e amigos que se foram por um ato insano, brutal e irracional de desprezíveis terroristas. Chorei, rezei e me emocionei ao olhar ao redor e me deparar com inúmeras pessoas também emocionadas, assim como eu, por pessoas que nem ao menos sabemos quem são, mas sabemos, conhecemos e sentimos as suas dores! Conhecemos tais pessoas com a alma e, assim, somos ligadas pela dor. O mundo parou ao sentir essa dor, pois foi um atentado contra toda a humanidade.

Estar no local dos atentados, como estive, me deu uma sensação de fragilidade e vulnerabilidade ao mesmo tempo. Assim, pensando e olhando para aquela cena, tive a certeza de que não mantemos o controle acerca de nada, muito menos o controle da vida. Pois, ali estiveram pessoas certas de que estariam se divertindo, e de que jamais passaria em suas cabeças a possibilidade da morte iminente. Mas o final para eles foi diferente e fora do controle!
A dor e a emoção que senti ao chegar ao local são indescritíveis. Os meus olhos não me obedeciam, e lágrimas caíam sem o menor controle. E mais uma vez, a vida nos mostra... Não temos o controle de nada, nem mesmo de uma lágrima cair de nossos olhos!
De repente, no retrato de uma paisagem fúnebre assisti a uma menina ofertar, naquela praça, uma rosa de cores vivas. Tinha o vermelho aceso de suas pétalas, contrastado com o verde vibrante de folhas, que me levou a crer que no carmim de um sangue derramado, a cor da esperança existe em nós.
Eu me vi naquela criança inocente e cheia de afeto. E pude crer que no encontro com a pureza de toda história será sempre possível acreditar que tudo pode ser e será diferente... Tudo isso quando a gente nunca deixar de ter esperança e ser a criança que há dentro de nós.

Por: Karina Simões

Texto publicado em minha coluna http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mulher.htm

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Vivemos na era da ansiedade

Vivemos em um mundo cheio de informações, uma vida célere e agitada, com uma agenda, no dia a dia, cheia de compromissos e obrigações a cumprir e, portanto, menos qualidade de vida para usufruir. Hoje em dia, nosso cérebro recebe uma enxurrada de informações e códigos mentais através das ricas tecnologias digitais que possuímos e, dessa forma, temos observado um aumento no nível de ansiedade das pessoas. Cada vez mais, recebo em meu consultório, principalmente, mulheres que relatam sofrimento com sintomas graves de ansiedade, tais como: taquicardia, sudorese, inquietação e agitação psicomotora, aumento do apetite acarretando ganho de peso, dores de cabeça frequentes, dificuldades com o sono, sensação de fôlego curto, sensação que tudo vai desmoronar, etc.

A ansiedade elevada pode levar a desenvolver um transtorno grave e, por isso, requer alguns cuidados. Algumas pessoas com transtorno de ansiedade frequentemente se sentem incapazes de trabalhar de forma eficaz, de ter vida social saudável, de viajar ou ter um relacionamento afetivo tranquilo. Ou seja, a ansiedade em forma de transtorno tem consequências impactantes sobre a vida do indivíduo. Num outro texto anterior citei os vários transtornos de ansiedade que encontramos como diagnóstico.

Um dos grandes prejuízos observados, em minha prática clínica, com mulheres em psicoterapia que sofrem de ansiedade diz respeito ao ato de comer. Geralmente, a ansiedade ativa no cérebro o mecanismo da impulsividade de comer, mesmo que sem fome. O comer compulsivo acarreta, muitas vezes, na mulher uma perda significativa da autoimagem e, consequentemente, da autoestima. O fortalecimento da autoestima feminina é um dos principais pilares de sustentação para que a mulher se sinta plena e bem consigo mesma, e, por conseguinte, ela saiba lidar com as adversidades que virão em decorrência da ansiedade.

Assim, sugiro que possamos compreender, de forma mais aprofundada, o nosso processamento cerebral. Conhecer mais a nós mesmos resultará em podermos enfrentar melhor as ansiedades que o mundo moderno nos faz viver inevitavelmente. Por isso, lembre-se que as nossas mentes são como filtros pelos quais vemos e transmitimos a realidade vivida.

Por: Karina Simões

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Tinha que estourar...

As bombas que explodiram em Paris são reflexos de um tempo em que a paz passa longe. Este Natal será diferente para muitos. As luzes não terão o mesmo brilho porque a humanidade pouco tem pensado nos valores supremos anunciados pelo rabi da Galileia: amor, solidariedade, fraternidade, compreensão, etc. O mundo assiste a estrondos que ecoam de todas as partes. Vivemos num tempo sem paz. Lamentável!

Assisti estarrecida à prática de terroristas do Estado Islâmico que capturam mulheres para atenderem aos seus apetites sexuais e, como escravas, são negociadas para eles obterem lucros com este comércio. Em que mundo ou tempo vivemos?

As "barbáries" não ficam adstritas ao fundamentalismo de tantos. A violência contra a mulher é vista a cada esquina, e o inimaginável faz parte de nosso cotidiano. Recentemente vi um parlamentar defendendo a ideia de a mulher ter o seu salário reduzido pelo fato de engravidar! Atos insanos aqui e ali ainda surpreendem a mim e a tantas pessoas que preservam o senso de justiça e respeito à dignidade humana.

Se lhe parece exagero fazer a comparação que fiz entre as bombas e a ideia abjeta de redução do salário de uma mulher grávida, não esqueça que são os loucos no uso do poder que causaram e causam o mal à humanidade com as suas propostas e práticas absurdas.

As bombas continuarão estourando por toda parte, enquanto o silêncio de todos permitir.

Será que nem o barulho de tantos estouros vai despertar este povo?
Pois é... Mas é Natal!!!!

Por: Karina Simões - Psicóloga

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A mulher e a fé

Coração de mulher é um santuário onde habita, decisivamente, a sua fé. Não é coincidência perceber atitudes heroicas relatadas em textos sagrados ou narrativas jornalísticas em que a figura feminina age e reage com força sobrenatural aos desafios da vida.

As mulheres são capazes de arrebatar um filho da boca de um jacaré prestes a devorá-lo e manter-se de pé ao ver seu filho crucificado. Somente a fé pode justificar tamanha força e coragem. Será coincidência perceber em tempos cristãos a marcante participação das mulheres em comparação à dos homens? Mas, afinal, que força é essa que habita o coração da mulher?

De joelhos ao chão, uma mãe provoca reações inimagináveis de Deus. Com o coração no alto, uma mulher surpreende a capacidade humana.

O profundo mistério que sonda a sua fé revela um grande segredo: uma mulher é antes de tudo a sua própria fé. As bênçãos maternas escudam e protegem os filhos daquela que crê. As orações conjugais dão-lhe o discernimento e a sabedoria para a construção de sua felicidade compartilhada. Independentemente do credo religioso, a fé constitui e define um jeito delicado de proteção e conquista. Talvez, por isso, pode-sever em redes sociais a mulher falando tanto de sua fé.

Deus é amor, e a mulher é a prova de que ele existe!!! Eu creio!!!

Por: Karina Simões  - Psicóloga Clínica